Seria Trágico se não fosse Cômico.

bric

Conversando com um amigo um tempo atrás sobre como o apresentador Fausto Silva saiu de um programa pirado como era o Perdidos na Noite para comandar essa chatice (pra dizer o mínimo) que é o Domingão do Faustão, ele me explicou que o motivo disso é que a TV Globo “pasteliza” os artistas. Achei sua expressão perfeita. Atores, comediantes e apresentadores que fazem algo de diferente por aí, quando chegam à emissora, acabam se adequando a um papel “pastel” qualquer, e isso é bem visível com os humoristas. Por mais versátil que seja, acabará fatalmente encenando um personagem que faz sempre as mesmas coisas e repete sempre o mesmo bordão, semana após semana, até que saia de moda e o público o esqueça.

Uma das últimas “vítimas” do programa foi Jovane Nunes, da Companhia de Comédia os Melhores do Mundo. O seu personagem, Zeca Pimenteira – que não tem a menor graça – é um evidente desperdício do talento desse ator. Quem acompanha o trabalho do grupo no teatro sabe que ele e sua trupe são capazes de muito mais do que mostra a TV. É isso que ele tenta provar agora, se aventurando num novo ramo de entretenimento – os livros de humor.

O seu recém lançado “A outra história do Brasil – a versão desavergonhada e sem cortes que explica tudo” alcança o objetivo de ser engraçado. Não é inovador nem muito diferente de outros tantos, mas cumpre bem o seu papel de divertir.

A história começa com um grupo de bêbados lusitanos (entre os quais Pero Vaz de “Caninha” e “cachaceiro-mor” Pedro Álvares Cabral) que atraca em nossas terras pra comprar cerveja e acaba se deparando com uma Porto Seguro repleta de pousadas e música baiana. Depois de nos contar sobre episódios como o da “incontinência” mineira e o da Velha “e desdentada” República, o redator dos Melhores do Mundo encerra sua narrativa com “o folclórico mineirinho Itamar Franco”, prometendo um novo volume para as eras FHC e Lula. O livro fala, basicamente, sobre fatos importantes e sobre as pessoas que os protagonizaram – abusando, é claro, de trocadilhos com seus nomes. A graça são as razões pelas quais esses personagens agem e os motivos por trás de suas decisões – sempre os mais esdrúxulos e cômicos possíveis.

Woody Allen já disse que o humor é uma forma de ver o lado engraçado de algo que realmente é triste. Um capítulo do seu livro que poderia ser triste é o reservado à ditadura militar, mas é nessa parte que o narrador sentencia: “- que país engraçado!”. E ele está certo. Nossa história, repleta de tristes acontecimentos, é, apesar deles (ou por causa deles), uma história, acima de tudo, engraçada. Uma piada pronta. O que Jovane Nunes faz é contar, ao seu modo, essa piada.