Crítica filme – UP

Filme UpO filme Up tem duas direções distintas. Enquanto a computação gráfica está cada vez mais humana, o roteiro encontra-se cada vez mais plastificado.

Nos últimos cinco anos vários livros de roteiro surgiram nas prateleiras. Geralmente escritos por americanos, roteiristas bem sucedidos que obtiveram sucessos no cinema e na televisão. Existem alguns brasileiros, que usam em seus exemplos as novelas, mas a maioria é gringo mesmo.

Esses livros ensinam a fazer um roteiro (surpreso?). O que é importante, o que não pode faltar e até mesmo como escrever um diálogo de amor. Existe o chamado a aventura, o vilão, o mestre, a reviravolta, o gran finale! Tudo é ensinado. Claro que a história você tem que inventar, mas seguindo a receita, você bate tudo, põe pra assar que não tem erro! Eu mesmo devo admitir que já comprei um… ou dois…

UP é o exemplar do roteiro. Tirou 10! Tudo acontece na ordem certa, com as cores certas e os motivos corretos… e isso tudo, devo dizer, é extremamente chato! De novo? Haaa não, antes de ver o filme eu já sei o final… você fica com a sensação de que tudo vai dar certo… mas a vida é assim? Não e acredito que as histórias também não são assim…

Velho americano, jovem asiático.

Tem um velho triste, que está triste pois sua vida não tem mais sentido. Ele perdeu a mulher. O filme mostra sua vida desde a infância até a velhice em 15 minutos. Essa parte é bem legal, quase não possui diálogos e as imagens são bem fortes. Tudo muito estereotipado:
Casamento -- sua casa com sol e o jardim florido.
Notícia ruim -- a cena rapidamente fica cinza e triste.
Esse velho tem uma vida inteira que ele literalmente leva nas costas, que é sua casa.

Contudo, as coisas mudaram e a mudança vem trazida por um jovem gordinho que sonha em ser escoteiro para assim recuperar a atenção do pai. Ao longo do filme o jovem mostra ao velho que a vida é mais do que recordações. Como se ele falasse para o caramujo deixar sua concha e partir para novas aventuras. E isso acontece. O valor familiar é ressaltado e no final ele deixa a casa ir, parando assim de carregar suas lembranças, e vai viver uma nova vida. Até mesmo porque a medicina moderna promete uma vida longa e de qualidade à todos, o velhinho ainda tem vida pela frente!

Tem o vilão? tem, tem o cachorro? tem, tem o momento em que tudo dá certo, mas o vilão dá a volta e piora ainda mais a situação? Tem e tem também a cena onde o vilão se ferra e morre? Tem.

Não sei se são as crianças que estão com um outro tipo de gosto infantil ou se os jovens que mexem com animação cresceram… pois os filmes infantis estão muito pouco engraçados e com muita mensagem subliminar pra adulto… acho que os jovens roteiristas de animação ficaram velhos… hora de deixar a casa ir e partir pra algo novo?

Agora, por outro lado, as animações estão geniais. Os atores digitais estão cada vez melhores! Andaram ensaiando? Até músculos involuntários são mexidos! Sabe quando você vai chorar e treme o queixo?

O que se pode ver é que UP está com um roteiro plastificado, que segue um receita já bem conhecida de todos… e essa receita está enjoando. Só que por outro lado, a PIXAR / DISNEY consegue dar um show de animação gráfica, o que sempre nos remete a questão: Será que um dia eles ficarão iguais, ou quiçá melhores que, nós, criadores? Para a Disney a resposta é clara.

Vale a pena ver esse Short Film que passam antes do filme: Partly Cloudy