Autobriófita Não Autorizada – Rodolfo

Autobriófita Não Autorizada – Rodolfo

Quem você foi na vida passada?

Eu fui Michael Jackson. Não queria falar mas já que perguntaram eu disse. Mas agora já passou, sou outra pessoa e estou feliz com a minha cor e a minha opção sexual. Queria ter guardado um pouquinho da minha habilidade de dançar antiga, mas ah, deixa quieto, o passado passou e o agora é agora. (Parece que eu sou jogador de futebol falando né? Treino é treino e jogo é jogo. Clássico é clássico e vice-versa.

Se você fosse um ser do oceano, qual você seria?

Eu seria um golfinho e ia morar no SeaWorld de Miami. Ia ganhar em dólar, divertir o público e, daqui a alguns 50 anos, meus tataranetos golfinhos iriam ser famosos por estarem quase em extinção e iam falar de mim em suas entrevistas coletivas.

Se o G7 fosse um grupo de drama, qual teria sido, na sua opinião, o nome do
espetáculo?

Como Passar em Concurso Público. Que, aliás, é um drama. Ou então: “Baseado em Fatos Fictícios”, seria um bom nome também. Outro que eu gosto: “O outro lado do Fio de Cabelo” -- esse quem inventou foi o Benetti.

O nome de um filme que você viu e chorou.

Bicho, até pega meio mal eu falar isso mas foda-se. Todo filme que eu vejo sozinho eu choro. A não ser quando o filme é muito ruim que aí eu saio no meio. Aquele Zoolander eu saí com 9 minutos de filme. Mas um que eu chorei muito foi A Vida é Bela e outro que eu indico bastante é Um Estranho no Ninho. Gosto muito desse Milos Forman, que fez também O Povo Contra Larry Flynt e Amadeus. E Jim Jarmursch (Uma Noite Sobre a Terra e Ghost Dog, ambos muito bons).

Disserte sobre o melhor e o pior dia no teatro.

O melhor dia no teatro é quando a casa tá cheia, eu não comi uma metade de carne de sol completa do Xique Xique antes de apresentar e a parte técnica funciona direitinho. O pior dia é quando a plateia tá com aquela falta de vontade, sabe? Parece que vai pro teatro por obrigação e não se deixa divertir, não embarca na “viagem” que a gente tá propondo. Mas mesmo o pior dia no teatro é melhor que qualquer outro dia longe dele. Tenho certeza que o Gracindinho vai falar isso também! hehehehe…

Qual o principal motivo que te faz viver de teatro?

O principal motivo é que eu acredito piamente que estou fazendo a minha parte na revolucão que o mundo precisa, uma revolução de amor, de arte. E a comédia é um bom caminho pra começar. Teatro pra mim não é só profissão, é também uma forma de viver a vida, passando mensagens positivas pra pessoas que estão dispostas a ouvir. Não porque a gente tem algo melhor pra falar do que outros, mas porque a gente faz as pessoas se verem no palco diante de situações que vivem no dia a dia e assim, forçamos uma reflexão um pouco melhor sobre o que já se sabe. Complexo? É complexo mesmo. E pode ficar ainda mais,  pois, o importante não é o que se fala e sim a forma como é dito.

O que você faria da vida se não fosse ator?

Ainda alimento o sonho de ser cantor de bolero. Um dia, quando estiver mais velho, vou ver se arrumo um restaurante ou uma boite pequeninota e vou lá cantar meus bolerinhos e ser feliz. Gosto muito de cantar bolero. Quando era pequeno minha mãe ouvia muito e eu aprendi a gostar. Conheço todos. Meu pai é da Guatemala e os boleros são como a música sertaneja de lá. Ele chama a minha mãe de amorcito, por causa de um bolero chamado “Amorcito Corazón”. Aqui o vídeo:

Qual o nome que gostaria de ter?

Crhistianssen Audreissian Richtssunian Anderssen Vigotssen Richsson Angorianssonsseian.

O que gosta de fazer quando não está fazendo nada?

Ir ao bar com os amigos, namorar, jogar videogame e divagar. Gosto de não fazer nada também, dormir. Dormir é muito bom. Ah, eu curto ler também, leio bastante.

Qual o sentido da vida?

A vida não tem nenhum sentido. Esse é o sentido dela. Trata-se de um paradoxo. Na verdade ela tem o sentido que você quiser dar, o que você construir. Se não fizer nada ela não vai ter sentido e este será, portanto, o seu sentido: nada. Entendeu?

Se você fosse uma música, qual seria?

Eu seria um bolero. Pode ser “Contigo Aprendí” ou então “Sabor a mí”. São os que eu mais gosto. Ou então seria “O Canto de Ossanha” de Vinícius… Sei lá, seria muitas…

A questão da sexualidade é um tabu dentro do grupo?

Muito boa a pergunta porque a sexualidade é uma parte muito importante da vida dos grupos. Imagina se os integrantes fizessem sexo entre si? Isso influenciaria o trabalho? Não sei. Sei que tem grupos que fazem orgias -- a gente ainda não fez. Mas, se o Fred e o Benetti um dia, sei lá, por suposição, decidirem experimentar alguma coisa nova eu vou torcer pra que dê certo -- só não vou participar.

É verdade que um artista de renome nacional pediu pra entrar no grupo e foi recusado?

Um não, vários. Mas não vou citar nomes aqui. É muito embaraçoso um cidadão famoso vir pedir uma coisa e a gente dizer: “Olha, não dá…”. Desculpa gente, foi mal, mas a formação é original e tá completa. Tá bom Tiririca?

Explique como são feitas as peças.

Primeiro as pessoas retiram petróleo do interior da crosta terrestre (tenta falar rápido três vezes “crosta terrestre”, eu pago uma cerva no Bar do Mané se conseguir). Depois do processo de refinamento e etc… nêgo coloca as paradas numa espécie de molde e as fábricas produzem as peças de acordo com a demanda -- seja de carro, móveis ou até de lego mesmo.

Quanto você pagaria pra se assistir?

Muito interessante esta questão porque fala de dinheiro. E dinheiro pra mim não vale nada. Eu respeito e torço para que o dinheiro venha, para eu poder viver bem, com conforto e dignidade. Mas se não vier eu vivo do mesmo jeito, nunca me faltou. Agora, se eu pudesse mesmo, se existisse patrocínio digno que me pagasse um salário legal, eu subiria no palco pro povão e as peças seriam de graça. Que é quanto eu pagaria pra me ver: nada!