
Hoje li uma entrevista do Michel Melamed no G1 e achei legal!
Já havia visto uma peça dele chamada “Regurgitofagia” no teatro da Caixa em BrasÃlia. Eu gostei porque gosto de espetáculos que possuem uma estética teatral diferente. No caso, ele fica ligado a uma série de fios elétricos e pequenas descargas de energia são lançadas assim que a platéia emite um som. Seja de aplauso, de assobio ou de risada… se você com a gente o Felipe já estaria morto e frito no capeta…
O legal é que você ri do texto e ri quando ele leva choque. É um sistema que se retro-alimenta. Quanto mais ele leva choque, mas você ri e mais ele leva choque. Tem uma poesia nesse espetáculo que ficou em minha cabeça e pude achá-la na internet! Olha só que coisa boa!
Aqui vai:
Casa comigo
casa comigo que te faço a pessoa mais feliz do mundo.
a mais linda, a mais amada, respeitada, cuidada… a mais bem comida.
e a pessoa mais namorada do mundo e a mais casada.
e a mais festas, viagens, jantares…
casa comigo que te faço pessoa mais realizada profissionalmente.
e a mais grávida e a mais mãe.
e a pessoa mais as primeiras discussões.
a pessoa mais novas brigas e as discussões de sempre.
casa comigo que te faço a pessoa mais separada do mundo.
te faço a pessoa mais solitária com um filho pra criar do mundo.
a pessoa mais foi ao fundo do poço e dá a volta por cima de todas.
a mais reconstruiu sua vida.
a mais conheceu uma nova pessoa, a mais se apaixonou novamente…
casa comigo que te faço a pessoa mais “casa comigo que te faço a pessoa mais feliz do mundoâ€.
O modo como ele fala a poesia é legal… vou tentar escrever aqui para vocês:
Ele fala assim: Caaaaaaasa. Coooooooomigo. – ai o resto ele fala rapido até o próximo Caaaaaaasa Cooooooomigo.
Sacou? Lê assim que fica mais legal. Mas lê sem engasgar! E imagina que depois de todo Caaaaaaasa Cooooomigo você leva pelo menos um choquinho.
Maaaaaaassaaaaa
Aqui está a entrevista dele:
Michel Melamed
Vale a pena ler. Tem um trecho, particular, que me apeteceu por demais:
G1: O que é o sucesso, para você, e que importância dá a ele?
MELAMED: Sucesso são vários, não é? Todo movimento, expansão, multiplicação é um sucesso. Tudo contra a paralisia. Tem também o que se conhece como o sucesso formal, digo, a coisa toda da projeção, o êxito financeiro, a conta de luz. Mas conta de luz sem ideologia me parece um sucesso sem alma. O que não quer dizer que não seja sucesso. A vida é muito crua, cruel, conseguir de forma honesta se destacar é bonito. Mas talvez ainda seja pouco. Muito industrial, peça de reposição, quer dizer, preencher um espaço que já estava ali e será preenchido novamente e eternamente. Talvez sucesso tenha relação direta com a criatividade. A capacidade de se inventar no mundo. Inventar uma vida, um jeito de fazer as coisas próprio, ter identidade. E alma, sempre. Este lugar do não dito, dos sinais, da poesia. Então sucesso é ter coragem e sorte. E sorte é magia.
G1: Próximos projetos?
MELAMED: Vários. Os sonhos são excessivos. Outro dia escrevi um texto sobre um ladrão de paixões. Um cara que se apaixona pelas paixões alheias e elas se tornam dele. Me sinto um pouco assim. Sou interessado em um monte de pessoas e coisas. Ainda quero ser astronauta, bailarino, ginasta olÃmpico. Quero ser cantor de rock, poeta e sambista. Quero virar pescador na Bahia, na Martinica e em Guadalupe e também quero morar num espigão da megalópole. Ser pai, filho…. Quero terminar o romance Homemúsica. E escrever outros dez. Me sentir leve e sexy, doce e forte, ser pragmático e misterioso. Me manter moço, uivar com os olhos. E não quero nada disso. Quero morrer debaixo da cama. Ficar vendo televisão, tomando sorvete e comendo batata-frita para sempre. E correr na praia e lutar boxe. E virar megulhador (esse é um sonho antigo). Também tenho um projeto para teatro com vários atores. E nascer texto do Rubem Braga na próxima encarnação. Ficar lendo em casa o resto da vida. Ver mil filmes. Todas as mulheres do mundo e o amor da vida. Enfim, vários.
Beijos!

reje em
Dani Reis em 

Fred em