
Que imagem bizarra! El Lula desnudo...
Amados e amadas,
Segue abaixo mais uma cena que escrevi e que ainda não encenamos. É inédita, por assim dizer. Mas aproveito a oportunidade para divulgar que se alguém tiver um grupo de teatro e quiser utilizar alguns de nossos textos tudo bem. Apenas mande um material para gente guardar de lembrança e mostrar aqui no Blog. Que não seja por falta de texto que você aí, futuro brilhante ator, diretor, cenógrafo, figurinista, cantor, enfim, não é por falta de incentivo que você não vai criar mais arte! Bom divertimento!
Ps: A inspiração da personagem Deca veio do André Deca mesmo. Parabéns Deca!
“Justiça é assim mesmo”
Em cena, o Promotor público está sentado em um canto, em silêncio. Cenário uma repartição pública.
Deca – Mas é lógico!
Justo – (pessoa humilde) Mas dotô, foi sem querer mesmo, de verdade.
Deca – Eu sei, olha só, você decorou tudinho? Tá entendendo a história toda?
J – Sim dotô.
Deca – Então vamo lá, conta pra mim!
J – É o seguinte, ô tava passando nu bar e o homi mim viu
D – Sim e daí?
J – Daí ô enfiei a faca nele! Safado fiadamãe! Fica bulinando com a minha mulher!
D – Não, aí não, pára! Olha só, você vai com calma, um passo atrás do outro, como é a vida mesmo. Ele te viu, te ameaçou…
J – Isso, ele me ameaçô. Aí eu enfiei a faca naquele miseráve fiada…
D – Não, olha só o.. o… o… qual é o seu nome mesmo?
J – Justo.
D – Então ô Justo, eu sou teu defensor, tá? Eu estou do seu lado, tô querendo te ajudar, mas cê não pode falar isso, tem que contar a historinha que eu te fa…
(Entra o Juiz e o Promotor se ajeita e senta. O Juiz cumprimenta todo mundo com o olhar, sério).
J – Bom dia, bom dia… Desculpa o atraso, mas minha mulher ficou presa no trânsito aí eu fui ajudar e fiquei preso… Bom… Podemos sentar. (com um sorrisão no jogo) Senhor Promotor! Como vai minha afilhada?
P – Linda excelência! Agora só fala de piercing e tatuagem, mas é ajuizada.
J – Certo…
D – Ei, como é isso? Excelência eu não posso aceitar essa relação, eu vou requerer a suspeição desse juízo e…
J – É defensor novo?
P – É sim meretíssimo.
J – Tá certo… Qual o seu nome amigo?
D – Deca, Andre Deca.
J – Precisa disso não… Vamos ver o que acontece e a gente tenta dar um jeito…
D – Sim, mas não pode ser amigo assim eu não…
J – (com veemência e autoridade) Precisa não… Precisa disso não… (pensa afirmativamente) Não precisa… Não precisa… Vamo lá, que que aconteceu?
D – Sim, meu cliente sofreu uma ameaça, certo, ele foi ameaçado, houve, de fato houve uma tentativa de homicídio e ele reagiu…
Juiz – Que que aconteceu meu filho?
J – Enfiei a faca naquele viado! Dotô, ele ficou bulinando na minha mulhé, enfiei mesmo!
D – Calmaí… Aí não… Não…
Juiz – (tudo bagunçado) Não, deixa ele falar vai!
D – Não foi bem assim excelência… Ô… o… o…
J – Justo.
D – Justo, conta a verdade (dá umas piscadinhas)
J – Mas é a verdade dotô! Enfiei mesmo e enfiava de novo..
P – Com licença, vou ao banheiro, já volto. (levanta e vai ao banheiro).
Juiz – Então o senhor enfiou a faca nele? Quantas vezes?
J – Ah, só deu tempo de enfiar umas duas vezes… Mas eu dei uma viradinha….
(toca o celular do Deca)
D – Só um minutinho… (Separa-se mas fica num canto da cena falando ao mesmo tempo que os outros) Alô? Sim… Não, vai com calma… Tá no trânsito? Sim? Manda fichar e devolve a ficha dele… Isso, passa no Amaral, lá no Guará, e pede pra ele levar a nota lá… Sim… Claro meu xuxuzinho… Claro que eu vou te pegar… Eu vou… (ri) Vou te pegar gostoso…Sim… Sim.. Então tá… (fica falando baixinho no canto).
(simultaneamente)
Juiz – Mas o que ele fez com a tua mulher? O rapaz esse..
Justo – Ele bulinou nela Doutô..
Juiz – É.. que que ele fez? Me chama de Araújo…. O… o… o…
Justo – Justo.
Juiz – Isso… Que que ele fez? (como se fosse um amigo interessado na história)
Justo – Ah dotô a gente tava no baile… Dançando numa boa… Aí ele veio com uns amigo e ficou dando em cima dela. Não fizemo nada… Aí ela disse que tava mais eu. Ele disse que não tava nem aí que mexia com quem quisesse! Aí fizemo nada… Aí ele começou a tentar pegar nela e ela fugindo. E eu olhando, e…
Juiz – Fez nada!
Justo – Nada. Aí ela começou a brigá comigo porque eu não tava fazendo nada, aí eu peguei a faca e enfiei nele.
Juiz – E falou o quê?
Justo – Nada.
(volta o Deca)
D – Então tá, tira a cópia do processo lá… (fica repetindo com um sorriso de safado no rosto). Beijo, tchau! Então, ele foi ameaçado né?
Justo – Mas enfiei mesmo! Sô macho!
(entra a mulher do Justo e começa a xingar o marido e dar porrada nele com uma bolsa).
Chica – Seu disgramado infame! Foi se deitá com a Crotilde que eu sei! Cachorro! Sem vergonha, tomara que seje preso, seu disgramado! Disgramaaaado! (dando porrada mesmo).
Justo – Dormi muié, mas foi ela que veio roçando ni mim, vai batê nela!
Chica – Cale sua boca homi! Seu cachorro desgramento, ixperimente durmi ou buli ni mim! Exprimenta!
(Juiz rindo, se divertindo e o Deca apanhando também e tentando separar).
D – Minha senhora, calma não é assim!
Chica – É sim, homem é tudo igual! (pra platéia) Home é tudo safado, cachorro! Trai mesmo, bando de cachorro! (paga sapo pra neguinho da platéia e vai nessa) Seus safado, galinha! E o sinhô, seu menino, exprimenta mexe com eu hoje..
Justo – Incelenti intão… Inselenti!
Chica – É sim seu safado!
Justo – Inselenti…
Chica – Exprimena! (sai)
Pála 1 – A mulher chega a quebrar o cenário nele.
Pála 2 – Só vai embora depois de quebrar um pau.
D – Porra…
Juiz – Olha, o… o… o…
Justo – Justo.
Juiz – Então, como tu agüenta?
Justo – É amor demais dotô
Juiz – Araújo..
André Deca – Então, vamo agir a vida?
(entra o Promotor rapidão que tava fazendo a mulher)
Promotor – Desculpa, mas foi até bom que eu fui ao banheiro, que me ligaram do hospital e o cara tá bem de saúde. A mulher dele ligou e disse que queria retirar a queixa… Eu vou fazer nada não meretíssimo.
Juiz – Tá certo, é por isso que eu gosto de você. O cara foi ameaçado né? Também o cara já mora numa prisão!
(todos riem inclusive o Justo)
Justo – Mas o sexo é bom demais.
(todos riem de novo)
Juiz – Então tá certo, um abraço! (todos se abraçam)
Promotor – E quando que a gente vai tomar aquele chopp?
Juiz – É uma boa né… Cês animam?
Justo – Bebo não, só cachaça.
André Deca – Vamo lá, comer um pescocinho…
Juiz – Então vamo, o… o… o…
Justo – Justo.
Juiz – Isso Justo, mas eu vou de pizzazinha mesmo que pescoço de peru incomoda no dia seguinte né?
(todos riem. Música animada – tipo um samba que fale sobre o jeitinho brasileiro ou impunidade).
Fim.


Shay em
Lidy em 
Cida em
ROBERTA em 



